Teorias Éticas
Filosofia Libertária
Esta filosofia, desenvolvida por Robert Nozick, refere que a moralidade de um acto está dependente do facto de maximizar ou não a liberdade individual e que os indivíduos devem actuar livremente sem restrições de terceiros. Nozick integra na sua teoria uma postura deontológica na medida em que a principal preocupação é proteger o direito da liberdade individual, independentemente das consequências, assim como uma perspectiva teleológica atendendo que leva em consideração o resultado das acções afim de determinar se a liberdade individual foi diminuída ou não como consequência de determinada decisão.
A filosofia libertária, altamente protectora da liberdade individual, defende que a intervenção do Estado só se justifica na medida em que protege os direitos individuais dos cidadãos e afasta-se de outras teorias que atribuem responsabilidades redistributivas ao Estado, entendendo que esta situação gera grandes desequilíbrios que por sua vez geram subsídio dependentes, fazendo apelo ao direito de propriedade e à liberdade individual.
Esta teoria encontra as suas raízes em Adam Smith uma vez que este rejeita modelos igualitários de distribuição da riqueza, não considerando legítimo que se utilize a riqueza de alguns para se atingir determinados objectivos contrários aos direitos fundamentais dos cidadãos, ou seja, beneficiando alguns indivíduos em detrimento de outros. É deste modo frontalmente contra a benevolência, distanciando deste conceito a ideia de justiça, esta sim considerada fundamental na vida social, chegando mesmo a defender a sua imposição ainda que de modo coercivo. Smith defende que o interesse público é alcançado num mercado livre, através de uma interactividade proporcionada pela procura de cada pessoa em atingir os seus próprios objectivos, rejeitando a intervenção do estado excepto quando os interesses pessoais se tornem incontroláveis. É deste modo defendido um egoísmo moderado aceitando que os interesses particulares não podem exceder determinados limites impostos, põe exemplo, pela moralidade comum.
Está portanto relacionado com a filosofia libertária, assim como em relação a Adam Smith, o conceito de egoísmo ético, cuja principal preocupação é a exaltação do bem individual sobre o bem comum, sendo os interesses dos outros apenas considerados depois da satisfação do bem estar individual. O bem-estar dos outros, aliás, interessa na medida em que isso pode afectar o bem-estar pessoal.
Bibliografia:
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MOREIRA, José Manuel – A Contas com a Ética Empresarial. Cascais, Principia, 1999.
NUNES, Cristina Brandão – A Ética Empresarial e os Fundos Socialmente Responsáveis. Porto, Vida Económica, 2004.
RACHELS, James – Elementos de Filosofia Moral. Lisboa, Gradiva, 2004.