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PRIMA FACIE - Revista de Ética Nº2 2º Semestre 2008

PRIMA FACIE – Revista de Ética
Nº 2 2º Semestre 2008



ARTIGOS



CONSTRUÇÃO DA CONSCIÊNCIA MORAL
Yves de La Taille *

Resumo
No presente texto, analisamos, do ponto de vista das dimensões intelectuais e afetivas, a construção da consciência moral. Começamos pela dimensão intelectual, lembrando que não há moral possível sem a liberdade do seu agente, e que tal liberdade depende do usufruto de suas faculdades intelectuais. Em seguida, descrevemos o objeto da moral com composta de regras, princípios e valores, e tecemos considerações sobre o equacionamento sensibilidade morais e também sobre o desenvolvimento da moralidade na infância e adolescência. Na análise da dimensão afetiva, apresentamos os sentimentos que presidem o despertar do senso moral (apego, medo, simpatia, indignação, culpa e confiança) e nos detemos sobre o sentimento de vergonha, presente em fases mais elaboradas do desenvolvimento. Fechamos o texto apresentado uma diferenciação de sentido entre moral e ética, mostrando a íntima relação psicológica entre as duas.

Palavras-chave: moral, ética, razão, afetividade, construção, desenvolvimento.

*Yves de La Taille é Doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano e Professor Titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.



ECOTANÁSIA: A AGONIA DE GAIA EM DECORRENCIA DA AÇÃO ANTRÓPICA
Fernanda Maria Ferreira Carvalho da Cruz*, Oswaldo Campos Junior**



Resumo
O termo Eutanásia, de origem grega, que originalmente significava “boa morte” ou “morte apropriada”, empregada pela primeira vez por Frank Bacon no século XVII, assumiu diferentes significados em conformidade com o tempo e o autor que o utilizou. Leonard Martin apropriou-se do termo e, sob sua inspiração criou o neologismo mistanásia (eutanásia social), designação da morte miserável, fora e antes da hora, causada por “fatores geográficos, sociais, políticos e econômicos, que contribuem para espalhar a falta de saúde e uma cultura excludente e mortífera”. O presente trabalho apropriando-se dos conceitos de eutanásia de Bacon e de mistanásia de Martin criando o neologismo “ecotanásia”, de significado mais global, significando a morte planetária decorrente da ação antrópica. Tendo como suporte de desenvolvimento o delineamento web e bibliográfico em literatura especializada em bioética ambiental, eutanásia, mistanásia, autonomia, vulnerabilidade e educação, discutindo a vulnerabilidade planetária frente à ação antrópica e analisando a importância de uma educação de qualidade no resgate da cidadania e conseqüente oposição à ecotanásia (eutanásia planetária) e à mistanásia (eutanásia social).

Palavras-chave: eutanásia, mistanásia, ecotanásia, ação antrópica, educação.

*Fernanda Maria Ferreira Carvalho da Cruz é actualmente doutoranda em Geografia na UNESP de Rio Claro. Graduada em Ciências Biológicas (USJT) e Pedagogia (Uni9). Fez pós-graduações lato-sensu na Universidade São Judas Tadeu (USJT) em Didática do Ensino Superior, Administração Escolar, Psicopedagogia e Orientação Educacional; na Universidade de Guarulhos (UnG) fez lato-sensu em Ecologia e especialização em Dislexia pela Associação Brasileira de Dislexia (ABD). Seu mestrado foi realizado em Bioética (com ênfase em meio ambiente) no Centro Universitário São Camilo. É autora de livros de Educação Ambiental tratada de forma interdisciplinar para as séries iniciais do Ensino Fundamental (FTD). Leciona Bioética, Prática e Instrumentação do Ensino, Antropologia e Educação Ambiental para o Curso de Ciências Biológicas e orienta TCCs nos cursos de Pedagogia, Ciências da Computação e Ciências Biológicas e orientadora de monografias nos cursos lato-sensu de Psicopedagogia e Bioética e Pastoral da Saúde no Centro Universitário São Camilo. Há anos atua nas áreas de Educação, Educação Ambiental, Bioética e Bioética Ambiental.
**Oswaldo Campos Junior possui graduação em Ciências Biológicas, Mestrado e Doutorado em Ciências Biológicas (Zoologia) pelo Instituto de Biociências da USP/SP. Iniciou o pós-doutorado em 2002, pelo Museu de Zoologia da USP.  É avaliador do Ministério da Educação (Sinaes- curso e institucional) e do Conselho Estadual de Educação (CEE) e consultor autônomo. Há anos atua lecionando, pesquisando e escrevendo sobre questões relacionadas à Biologia, Zoologia, Bioética Ambiental, Educação Ambiental, Gestão Ambiental e de um modo geral sobre as Ciências Ambientais. Paralelamente desenvolve trabalhos de consultoria ambiental e acadêmica, bem como atua em ações voluntárias relacionadas à "Qualidade de Vida" em situações de vulnerabilidade social. É professor convidado dos cursos de pós graduação das seguintes instituições: Faculdades Integradas Torricelli (FIT); Universidade da Cidade (UNICID);Centro Educacional São Camilo/ Brasília;Complexo Nacional de Ensino  (CONAEN).



CRISTIANISMO: ÉTICA, IDENTIDADE E VIOLÊNCIA
Cicero Cunha Bezerra*


Resumo
Uma das questões de maior atualidade, no campo da reflexão filosófica contemporânea, diz respeito ao sentido e papel do cristianismo na construção de uma sociedade plural e democrática. Como conciliar moralidade e liberdade? Como pensar princípios centrais do cristianismo como "família", "amor", "vida", dentro de um território que se define como, primordialmente, marcado pelo direito de escolhas individuais? Estas são algumas questões que busco responder, à luz do pensamento "debole" de Gianni Vattimo no intuito de pensar na construção de um diálogo entre o cristianismo e a filosofia pós-moderna.

Palavras-chave: cristianismo, identidade, Vattimo, moral, religião, ética.

*Cicero Cunha Bezerra possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (Brasil) e doutorado em Filosofia - Universidad de Salamanca (Espanha). Atualmente é Professor da Universidade Federal de Sergipe. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Antiga e Medieval, atuando principalmente nos seguintes temas: Ética, Neoplatonismo, Estoicismo, mistica, niilismo e filosofia da religião. É autor do livro Compreender Plotino e Proclo (Editora Vozes, 2006) e membro das sociedades científicas: SIAEN (Sociedade Ibero-americana de Estudos Neoplatônicos) e SIEPM SOCIÉTÉ INTERNATIONALE POUR L ÉTUDE DE LA PHILOSOPHIE MÉDIÉVALE.
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ÉTICA E FORMAÇÃO DA JUVENTUDE: ALGUMAS REFLEXÕES E QUESTÕES
Renato José de Oliveira*


Resumo
Este artigo discute o papel da ética na formação de crianças e de adolescentes. Em um primeiro momento são abordadas as relações entre cultura, ética e pluralismo e os reflexos que têm nos processos formativos desses indivíduos. Em seguida, questões relativas à ética no contexto da educação escolar são examinadas tendo em vista as possibilidades de atuação da escola e dos professores e as expectativas quanto à formação de sujeitos críticos. Algumas propostas como a transversalidade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade são analisadas, buscando-se dimensionar as contribuições que trazem ou não para os processos formativos escolares. O quadro teórico-metodológico que baliza o estudo é constituído pela filosofia do pluralismo, (Perelman), e pela teoria da argumentação (Perelman & Olbrechts-Tyteca).

Palavras-chave: ética, formação da criança e do adolescente, pluralismo, argumentação, cultura, educação escolar.

*Renato José de Oliveira é Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Professor Associado do Departamento de Fundamentos da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Autor, entre outras obras, dos livros “Utopia e Razão – pensando a formação ético-política do homem contemporâneo” (1998) e “A Escola e o Ensino de Ciências” (2000).



DO IDEALISMO À IDEOLOGIA: OS USOS SOCIAIS DOS DISCURSOS SOBRE CRIATIVIDADE NO CAMPO PUBLICITÁRIO
Clóvis de Barros Filho*, Felipe T. P. Lopes**


Resumo
Neste trabalho, discutimos se, em que medida e como os discursos dos profissionais da publicidade sobre criatividade constituem um discurso ideológico, servindo para estabelecer e sustentar relações de dominação no seu campo profissional. Para tanto, estruturamos o artigo em três partes. Num primeiro momento, apresentamos o conceito de ideologia de John B. Thompson, que orientou e fundamentou nossas análises. Num segundo momento, descrevemos e analisamos os discursos dos profissionais da publicidade sobre criatividade. Num terceiro e último momento, discutimos as implicações ideológicas desses discursos. Ao fazermos isto, concluímos que os pressupostos idealistas dos mesmos legitimam a estrutura do campo publicitário, reproduzindo-a.

Palavras-chave: criatividade, idealismo, ideologia, publicidade.

*Clóvis de Barros Filho é Doutorado em Ciências da Comunicação e Professor Livre-docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
**Felipe T. P. Lopes é Doutorando em Psicologia Social pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade de São Paulo. Bolsista do CNPq.



ENTREVISTA


ENTREVISTA À DOUTORA SANDRA CAEIRO* NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

*Sandra Caeiro é Professora Auxiliar na Universidade Aberta desde 2004, no Departamento de Ciências e Tecnologia. É Doutorada em Engenharia do Ambiente (Sistemas Ambientais e suas Tensões) na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Portugal (2004), Mestre em Ciências das Zonas Costeiras pela Universidade de Aveiro, Portugal (1996) e Licenciada em Engenharia do Ambiente pela FCT-UNL, Portugal (1992). É actualmente vice-coordenadora da licenciatura em Ciências do Ambiente da Universidade Aberta, e lecciona na Universidade Aberta disciplinas na área dos instrumentos de gestão ambiental e territorial e da educação ambiental, a nível da licenciatura e mestrado. Participou na concepção e desenvolvimento curricular do Curso de Mestrado em Cidadania Ambiental e Participação, tendo sido a coordenadora deste curso entre 2006 - 2008. Integrada nos Centros de Investigação do Instituto do MAR e da Unidade de Investigação Educação e Desenvolvimento, colabora em projectos de investigação. É membro da Associação Portuguesa de Engenheiros do Ambiente onde tem colaborado no Grupo de Educação Ambiental, desenvolvendo projectos de sensibilização e educação ambiental para autarquias, empresas ou outras instituições. Tem inúmeras publicações em capítulos de livros, artigos em revistas científicas com arbitragem científica e comunicações em conferências, internacionais e nacionais, integradas em diversas áreas, designadamente o risco ecológico, a gestão ambiental em zonas costeiras, a educação ambiental, e o ensino das ciências em e-learning.



A ÉTICA NA NET

Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida – Página Oficial


http://www.cnecv.gov.pt/cnecv/pt/



“O site disponibiliza ainda o texto integral dos seus pareceres, relatórios, notas e reflexões de 1991 a 2008. Este aspecto é de grande importância para a investigação e reflexão no âmbito da bioética. […]
Trata-se, portanto, de um site de extraordinária importância no âmbito da reflexão bioética portuguesa, destacando-se pela quantidade e qualidade da documentação que disponibiliza, assim como pela diversidade das matérias abordadas”.